Garotas gordinhas entram no mundo da moda como modelos ‘plus size’

Bonitas e inteligentes, elas realizam o sonho de muitas jovens


Quem disse que a gordinha tem que ser só a garota legal e divertida, mas que não faz sucesso com os garotos? Desde que o bullying passou a ser tratado de forma escancarada por educadores, pais e alunos, a obesidade entre crianças e adolescentes deixou de ser motivo de vergonha – dentro de um limite do saudável, claro. E, há alguns anos, as garotas gordinhas enfrentaram a ditadura da magreza e conquistaram também o mundo da moda.


Daniela Williams trabalha como modelo há um ano em São Paulo (Foto: Arquivo pessoal)
Moradora de Jaguariúna, São Paulo, a jovem Daniella Williams, de 25 anos, passou a adolescência lutando contra a balança. “Tive minha época de loucura, fazendo regimes em que eu não comia nada. Na verdade, foi quase um ano assim e acabei ficando muito doente. Eu queria ter uma barriga reta, coisa que mesmo magra eu nunca consegui”, conta Daniela.


Ela só superou o distúrbio alimentar com a ajuda da família e dos amigos. “Uma colega de escola percebeu o que estava acontecendo e me fez uma pergunta que eu nunca esqueci: você prefere se divertir e curtir a vida ou ficar doente numa cama?” Depois disso, ela caiu na real e voltou a comer. “O impressionante é que eu nunca sofri preconceito, nem por parte de minhas amigas, nem com paqueras ou pessoas estranhas”.


Daniela aprendeu a aceitar o próprio corpo


Algum tempo depois, as gordurinhas que ela considerava um incômodo abriram portas para um novo e lucrativo mercado de trabalho, o das modelos “plus size” (tamanho grande). “Em uma visita a Santos, uma amiga me mostrou várias matérias sobre este mercado. Ela insistiu que eu fosse a São Paulo atrás de agências”, diz.


Daniela seguiu o conselho e se deu muito bem. “Trabalho no ramo há quase um ano. Tive muitas conquistas, mais também muita luta”, relata. Ela confessa que só conseguiu continuar batalhando por espaço como modelo porque recebeu um voto de confiança de pessoas muito especiais. “Minha mãe e minha avó são babonas e se emocionam a cada conquista”, conta.


Ao contrário de muitas jovens com sobrepeso, Daniela não deixou sua auto-estima ser abalada. “Eu sempre me achei bonita, independentemente do peso em que eu estava. Se eu achasse o contrário, não teria tido coragem para começar a trabalhar nesse mercado tão competitivo, onde se você não tiver capacidade, força e beleza você não sobrevive”. Para não fazer feio ao lado de colegas bem mais experientes, Daniela investiu no preparo técnico. “Agora estou fazendo aulas particulares de passarela e adorando! Você aprende a ter mais postura e fazer poses que te valorizem. Tudo isso você aprende só em um curso”.


Atualmente, a modelo não faz mais nenhum tipo de regime. “Às vezes substituir sua alimentação por uma alimentação mais saudável é essencial não só para o peso, mas para a saúde do corpo também. Minha alimentação é bem balanceada, com verduras e legumes, mas também amo macarrão, pizza, strogonoff, sushi. Evito os doces, porque eu não gosto tanto. Hoje eu me olho no espelho e vejo que tenho alguns defeitinhos, uma gordurinha aqui, outra ali. Mas elas não me incomodam mais, porque a verdade é: ninguém é perfeito!”, diverte-se Daniela.


‘Uma mulher não precisa vestir manequim 38 para ser bonita ou feliz’


Bruna Oliveira (Foto: Bruno Cortez /Divulgação)
A paulista Bruna Oliveira, de 18 anos, também está em paz com o próprio corpo. A bela morena de olhos claros começou a trabalhar como modelo por acaso. Uma estilista da cidade de Americana, São Paulo, pediu que ela fotografasse para sua grife, mas a garota ficou em dúvida. “Claro que, como toda mulher, de vez em quando, tenho baixa auto-estima e começo a me colocar defeitos, mas, para ser sincera, eu sempre me achei linda”, fala Bruna, bem-humorada. A garota diz que adora seus olhos e sua boca. Os quilinhos a mais, porém, foram o que lhe abriu as portas para o mundo da moda.


Bruna faz pose (Foto: Bruno Cortez/Divulgação)
“O público já esta se acostumando com o fato de que a população, tanto no Brasil como em outros países, é formada, em grande parte, por mulheres encorpadas, ou seja, mulheres que vestem manequim acima de 42. Por isso, as lojas estão se preocupando em criar roupas maiores para atender a todos os públicos. Sem dar apoio à obesidade, a gente tenta mostrar que uma mulher não precisa vestir manequim 38 para ser bonita ou feliz”.


Agora, apesar de comer de tudo, Bruna toma cuidado para se manter saudável. “Sou contratada de algumas grifes e, por isso, preciso manter o mesmo manequim”, explica.


Andrea Boschim (Foto: Kelly Hato / Divulgação)A paulistana Andrea Boschim, de 33 anos, é a mais experiente do grupo. Ela começou a atuar como modelo depois que venceu um concurso, em 2002. “As pessoas precisam entender que ser modelo plus size é uma profissão. Não basta ser gordinha e ter um rosto bonito para ser modelo! É preciso ter um corpo proporcional, ser fotogênica, ter determinação, cuidar da pele, cabelo, alimentação. Ainda há muita modelo para pouco mercado”


Andrea conta que também já teve momentos de insatisfação com o corpo. “Duvido que uma mulher se ache sempre bonita! Mas ser gordinha não era algo que eu quisesse mudar por vontade própria. Na adolescência, eu acreditava que para ser aceita precisava ser igual à maioria das minhas amigas”, diz. “Só me toquei da grande besteira que era tentar ser mais magra para agradar os outros quando um garoto que eu paquerei durante o colegial todo pediu para ficar comigo na nossa viagem de formatura, só porque eu estava 8 kg mais magra. O meninos dos meus sonhos só tinha me olhado depois de um ano de regimes malucos. Naquele momento, meu encantamento acabou, porque me dei conta de que sou mais do que um corpo! Tenho valores, princípios, qualidades e defeitos e merecia alguém que me visse como um todo.”


Do Portão Malhação


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